A ocupação de 99% dos leitos no Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) motivou uma reunião do promotor de justiça Wueber Penafort com representantes das gestões estadual e municipal de Macapá das áreas da saúde e educação. O objetivo foi acompanhar a atuação dos órgãos e alinhar estratégias para o aumento da cobertura vacinal, especialmente em Macapá e Santana. Os dois municípios registram menos de 50% de público vacinado, principalmente crianças das séries iniciais, o que impacta diretamente na lotação dos leitos hospitalares. A reunião aconteceu na quinta-feira (16), no Complexo Cidadão da Zona Norte.

Estiveram presentes representantes da Superintendência de Vigilância em Saúde do Estado (SVS), da Vigilância Sanitária Municipal de Macapá (Semvs), das Secretarias de Saúde do Estado (Sesa) e do Município (Semsa), além das Secretarias de Educação do Estado (Seed) e do Município (Semed).

Wueber Penafort questionou a atuação dos órgãos com base no Decreto de Situação de Emergência em Saúde Pública, válido para todos os municípios devido ao aumento de casos de Síndrome Gripal (SG) e de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior incidência em crianças e idosos.

De acordo com o decreto, a situação de emergência, com prazo de 180 dias, abrange ações de vigilância epidemiológica e laboratorial, regulação de leitos, imunização, aquisição de insumos, comunicação de risco e logística.

Margareth Gomes, da SVS, informou que o monitoramento se baseia nos dados de cobertura vacinal e ocupação de leitos. Ela confirmou o aumento da circulação viral, mas ressaltou que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) atua com orientações fundamentadas no decreto, em parceria com os municípios e com o apoio das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) na busca ativa.

Camila Dias, diretora da Semvs, detalhou as campanhas de vacinação realizadas pela Prefeitura de Macapá com o apoio dos profissionais da ESF. Já as representantes da Seed pontuaram que são feitas campanhas de orientação por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), mas que enfrentam a recusa de pais que não autorizam a aplicação do imunizante nos filhos.

O promotor de justiça afirmou ser necessário identificar os motivos pelos quais a cobertura vacinal não está atingindo as crianças das séries iniciais — se por falta de estratégia nas campanhas escolares ou por resistência ideológica de pais e responsáveis.

Como encaminhamento, definiu-se que será emitida uma Recomendação para que seja intensificada uma campanha junto à Secretaria de Estado da Comunicação, além de um Plano de Prevenção, decisões fundamentais para elevar a cobertura vacinal, equilibrar a ocupação de leitos no HCA e garantir a saúde infantil. Uma nova reunião para avaliar as estratégias foi marcada para agosto.

“Esta reunião foi para entender o que os órgãos envolvidos têm a dizer sobre o aumento de casos e internações de crianças acometidas por esses vírus; o porquê da baixa cobertura vacinal em Macapá e Santana, onde os casos só aumentam; e se o Decreto de Emergência está sendo executado, uma vez que ele prevê dotações orçamentárias para a execução de estratégias de campanha, intensificação da vacinação e até compra de insumos”, afirmou o promotor Wueber Penafort.